O que Yuval Noah Harari me ensinou sobre eventos

No dia 11 de novembro, estive no Memorial da América Latina com outras 1000 pessoas ouvindo a genialidade e clareza de pensamento de Harari.

Harari junto com Byung-Chul Han, são dois pensadores contemporâneos que me sensibilizam e provocam, e eu não ia perder a oportunidade de estar frente a frente com Harari e ainda com o bônus de encontrar tanta gente bacana na plateia: amigos, artistas e personalidades que admiro, todos ali do meu lado na fila e na plateia.

Harari começou respondendo a quase todas as perguntas com o seu frequente “não sei”. Como é profundo começar uma resposta com não sei e mostrar possibilidade sem fechar em uma verdade rasa.

Entre tantas reflexões importantes, uma mexeu comigo com mais intensidade, a afirmação mais direta que registrei dizia: “estamos sendo hackeados”. O contexto (que não é nenhuma novidade) era de que os algoritmos têm hackeado nossa forma de pensar, nos levando a acreditar em verdades que interessam a alguém que tem um poder exponencialmente maior e incomparável ao nosso.

Foi aí que eu pensei que os eventos são um poderoso antídoto para isso. Quando garantimos mais olho no olho do que olho na tela exercitamos nossa empatia, ouvimos com atenção sobre situações que os algoritmos não nos mostram.

Mas para que o antídoto funcione, precisamos promover eventos com curadoria ampla e diversa, conteúdo crítico e desconfortável, e espaços para interação público-público e palco-público ampliando as trocas.

Se para gerar um evento que sensibiliza e provoque precisamos de pluralidade e repensar as “menores” questões que tem um alto impacto para quem está fora da bolha, recomendo este artigo do meu amigo querido, Tony Marlon, que fala sobre a importância de pensarmos os horários dos eventos para que sejam mais inclusivos https://tonymarlon.blogosfera.uol.com.br/2019/10/25/a-gente-precisa-terminar-mais-cedo/.

E você tem passado mais tempo olhando para pessoas ou telas?